segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Investigação apontou existência de 84 cargos com ex-vice-prefeito José Carlos Machado

Ex-vice prefeito presta depoimento no Ministério Público Estadual.

O ex-vice prefeito José Carlos Machado (PSDB) mantinha 84 cargos comissionados em seu gabinete na Prefeitura de Aracaju, durante a gestão do então prefeito João Alves Filho (DEM). Um número considerado alto para o tamanho do gabinete. Nesta segunda-feira, 4, o ex-vice prefeito prestou depoimento na sede do Ministério Público Estadual (MPE), que investiga indícios de crime contra a administração pública e peculato, além de associação criminosa e prática de obstrução da investigação.



O vice-prefeito evitou os jornalistas e, ao final do depoimento, saiu por um dos elevadores privativos da instituição. Mas foi alcançado por jornalistas que o aguardavam na parte externa. O advogado Márcio Conrado informou que não há irregularidades nos atos de José Carlos Machado assinados na condição de vice-prefeito de Aracaju. O ex-vice prefeito manteve-se em silêncio quando questionado sobre as investigações iniciadas pelo MPE durante a Operação Antidesmonte que identificou suposta existência de servidores fantasma na Prefeitura de Aracaju.

A promotora de justiça Luciana Duarte, do Patrimônio Público, explica que as investigações no âmbito criminal correm em segredo de justiça. Ela explicou que a documentação apreendida na sede do Partido Democrático (DEM) corrobora com a acusação de obstrução de investigação contra a presidente do partido Ana Alves, filha do ex-prefeito João Alves Filho e da senadora Maria do Carmo Alves, ambos do DEM, que foi presa na semana passada.

Só no gabinete do vice, foram encontrados 84 comissionados e no gabinete do prefeito são mais de 100, segundo os primeiros levantamentos do MPE. Há um rol, incluindo outros setores, de algo em torno de 200 nomeações suspeitas, inclusive de pessoas que exerciam cargos comissionados no mesmo período contratado, com carteira profissional assinada, por empresas privadas com turno completo. Todos os envolvidos, dependendo do resultado da investigação, poderão responder por crime de peculato.

O MPE continua tentando ouvir o depoimento do ex-prefeito João Alves Filho, que ainda não foi localizado, e também da então chefe de gabinete, Marlene Calumby, irmã do ex-prefeito. Informalmente, chegou ao MPE a informação de Marlene Calumby enfrenta problemas de saúde e o ex-prefeito estaria em viagem, fora de solo sergipano.

Obstrução na investigação

Na semana passada, a jornalista Ana Alves, presidente do DEM em Sergipe e filha do ex-prefeito João Alves Filho e da senadora Maria do Carmo Alves, teve prisão preventiva decretada pelo juízo da 2ª Vara Criminal, atendendo pedido do MPE. Ela é acusada de obstruir a investigação e continua custodiada no Presídio Feminino, em Nossa Senhora do Socorro, dividindo a cela com outras três detentas portadoras de diploma de nível superior, segundo informações da Secretaria de Estado de Justiça e de Defesa do Consumidor (Sejuc). No domingo, 3, ela passou mal e recebe assistência médica.

O advogado Cristiano Cabral informou que ainda não recorreu da decisão judicial que levou Ana Alves à prisão e prefere não emitir informações sobre a estratégia da defesa para libertar a presidente do DEM. 
Informações de Cássia Santana, do portal Infonet.

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