segunda-feira, 24 de julho de 2017

Em entrevista, Belivaldo admite candidatura ao governo, alegando que será definida pelo relógio de Jackson

Do Faxaju - O governador em exercício, Belivaldo Chagas (PMDB), em entrevista ao Faxaju On-line, neste domingo (23), falou sobre sua provável candidatura ao Governo do Estado. Disse que “o governador Jackson Barreto, como líder desse projeto, ainda não iniciou as discussões com nosso agrupamento e até lá vamos aguardar a sua iniciativa”.

Belivaldo deixou claro que não tem pressa e explicou que “o relógio é o dele [de JB] e temos que respeitar”. Para ele a “prioridade desse momento é cuidar de Sergipe” e, citando a Bíblia, lembrou que “tudo tem seu tempo determinado”. Quanto à mobilização vista nos últimos dias, Belivaldo assegurou que esse sempre foi o seu estilo. “A diferença agora é que, com essa história de que eu possa vir a ser o candidato a governador do grupo, os olhos se voltam com mais intensidade para o meu trabalho”.

Belivaldo falou ainda das dificuldades pelas quais passa Sergipe: “essas dificuldades do Estado estão mapeadas e são essencialmente as mesmas do país. Nunca passamos no Brasil uma crise como essa. E isso afeta as condições financeiras dos estados. Sergipe não está isolado desse processo e sente de forma muito significativa os efeitos dessa recessão”, disse.

A entrevista:

Tudo leva a crer que o seu nome é o mais cotado para disputar o Governo. Acredita que serão concessões, dentro do bloco, toda a chapa majoritária a ser formada?

Belivaldo Chagas – Temos que ter clareza e sinceridade nesta questão. Até o momento não houve uma discussão interna sobre esse assunto. O governador Jackson Barreto, como líder desse projeto, ainda não iniciou as discussões com nosso agrupamento e até lá vamos aguardar a sua iniciativa. O relógio é o dele e temos que respeitar até por que estamos vivendo um momento de grandes dificuldades financeiras no Governo do Estado, provenientes dessa crise sem precedente que assola o nosso País. A prioridade nesse momento é cuidar de Sergipe. Respondo sua pergunta citando o livro da sabedoria que é a Bíblia, mais precisamente o livro Eclesiastes “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. Vamos aguardar.

Como você está se sentindo, em termos de aceitação, com essa movimentação de entrevistas e visitas ao interior.

Belivaldo Chagas – Esse sempre foi o meu estilo. A diferença agora é que, com essa história de que eu possa vir a ser o candidato a governador do grupo, os olhos se voltam com mais intensidade para o meu trabalho, mas se você analisar bem, vai lembrar que quando assumi o governo por 100 dias, quando Marcelo Déda precisou ausentar-se, eu adotei a mesma postura de trabalho, atendendo a todos que me procuravam. 

Quando o governador, da mesma forma, precisou se ausentar por 100 dias para realizar uma cirurgia, eu assumi o governo e trabalhei do mesmo jeitinho como estou fazendo agora. O homem é seu estilo e o meu é esse, atendendo a todos, respeitando a todos, por que entendo que respeito gera respeito, gentileza gera gentileza, e assim vou transitando nos diversos setores da vida social e política do nosso estado, procurando construir pontes de diálogo ao invés de muros de discórdia. E assim, as coisas vão fluindo e seguindo seu curso natural, sem percalços.

As dificuldades do Estado já foram detectadas e as soluções já vêm sendo projetadas para o futuro?

Belivaldo Chagas – As dificuldades do estado estão mapeadas e são essencialmente as dificuldades do país. Nunca passamos no Brasil uma crise como essa. E isso afeta as condições financeiras dos estados. Sergipe não está isolado desse processo e sente de forma muito significativa os efeitos dessa recessão. Nós temos sim todos os diagnósticos, trabalhamos o tempo todo com números, estatísticas, controles e principalmente, planejamento. É por isso que mesmo com essa crise toda, o Governo do Estado não para de realizar obras. Temos em andamento nesse momento mais de R$ 800 milhões em obras nas diversas áreas da administração. 

E como conseguimos isso? Correndo atrás, indo captar recursos externos junto a organismos financiadores, junto ao Governo Federal, Banco Mundial, BNDES e as coisas estão acontecendo. Nosso maior problema interno é a dificuldade em regularizar o salário dos servidores, por conta de um déficit da previdência que absorve todos os meses R$ 100 milhões dos cofres do Tesouro. Esse problema foi gerado em outros governos, mas estourou no colo do Governo Jackson Barreto que tem feito de tudo para resolver, mas não é tarefa simples. Não há uma varinha mágica para resolver certas questões estruturais e quem disser que vai conseguir em curto prazo tenha medo, corra longe, por que fazer discursos demagogos é fácil, difícil é resolver com seriedade e responsabilidade.

Sergipe tem dificuldades junto ao Governo Federal, cujo presidente é do mesmo partido?

Belivaldo Chagas – Há sim dificuldades. O próprio governador Jackson Barreto deixou isso claro em declarações recentes de que Sergipe não tem recebido o tratamento que merece do Governo Federal e isso não começou agora não. Estados administrados por partidos de oposição ao governo Dilma Rousseff, por exemplo, receberam muito mais do Governo dela que Sergipe, a exemplo de Alagoas que tinha um governador tucano, Teotônio Vilela, e conseguiu muitas coisas a exemplo do canal que corta o sertão alagoano e que já avançou mais de 100 quilômetros enquanto o nosso sequer foi licitado. A BR-101 é outro exemplo dessa vergonha. O aeroporto também. Enfim, Sergipe não vem recebendo, por parte Governo Federal, o tratamento que nosso povo merece.

Uma bancada federal unida por Sergipe traria maior benefício para o Estado, desde que deixasse de lado as questões políticas?

Belivaldo Chagas – Eu tenho certeza que sim. Nossa bancada é pequena, em relação a estados maiores, que possuem um número de deputados federais várias vezes maior que a nossa e, portanto, com um poder de influência no Congresso Nacional também maior. Mas se houvesse união em torno de projetos por Sergipe, seriamos olhados de maneira mais generosa pelos mandatários em Brasília. Mas, infelizmente, temos problemas nesse sentido com pessoas que entendem a política ainda de forma muito atrasada e que acabam prejudicando o estado de Sergipe, achando que vão prejudicar nosso governo. É uma perda muito grande para nosso estado, mas em certos casos eu acho difícil melhorar. Papagaio velho não aprende a falar.


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