quinta-feira, 9 de março de 2017

Greve dos médicos do município de Aracaju aumenta a demanda no HUSE

Após três meses de greve dos médicos da Rede Municipal de Saúde e da falta de vagas para cirurgias do trauma no Hoapital Cirurgia, pacientes buscam atendimento no Hospital de Urgância de Sergipe (HUSE) que passa por um aumento expressivo de demanda e está com o pronto-socorro lotado.

Hoje, o Pronto Socorro tem 262 pacientes internados. Desse total, 128 são de Aracaju, mas também há pessoas procedentes de outros municípios. Para se ter uma ideia, são 38 da região de Nossa Senhora do Socorro, 24 da região de Lagarto, 9 da região de Propriá, 19 da região de Itabaiana, 21 da região de Estância, 9 da região de Canindé e 14 de outras procedências.
Todo o pronto socorro elevou a sua taxa de ocupação. Na Área Vermelha, quase dobrou o número de leitos, que subiu 175%. Na Área Verde Trauma, a taxa chegou a 188%. a Área Verde Clínica permaneceu dentro da normalidade, com 103% de ocupação e a Área Azul, considerada de baixa complexidade, atingiu 161% de ocupação. A superintendente do Huse, Lycia Diniz, aponta os principais motivos da superlotação e a real situação do hospital.

“A superlotação hoje tem dois motivos, a continuidade da greve do município e a falta de atendimento do Hospital Cirurgia, que é nossa maior retaguarda. A gente tem hoje 67 pacientes aguardando vagas no Hospital Cirurgia. São 20 pacientes da neurocirurgia, 35 ortopédicos e 12 da vascular. É um hospital dentro do outro, parado. Isso faz com que a gente não tenha vaga para quem está chegando. O paciente tem o atendimento, mas não é com o conforto que ele merece”, ressaltou a superintendente.

Espera

Para quem está doente, a espera pelo tratamento se traduz em angústia, caso do aposentado Antônio Américo da Silva, 74. Depois de não conseguir atendimento em outras unidades ele seguiu para o Huse. O paciente fez a troca de uma sonda, serviço realizado pela rede municipal.“Eu sempre troco essa sonda no posto de Saúde do meu bairro, mas quando cheguei lá, estava fechado e sem atendimento. Como estava sangrando eu procurei logo o Huse que estava de portas abertas para atender. Demorou um pouco, mas sai com meu problema resolvido”, disse.

Moradora do bairro Olaria, a aposentada Maria de Lourdes de Santana, 71, estava acompanhando a irmã que sofre com uma úlcera na perna. Buscou atendimento na unidade de saúde do conjunto Almirante Tamandaré e a médica não tinha ido trabalhar. “Tive que vir com ela até aqui no Huse, que é nossa salvação. É sempre assim, a gente precisa de atendimento nesses Postos de Saúde e não consegue ser atendida corretamente. Sempre falta alguma coisa e não concluímos o tratamento”, reclamou.

Pressão alta, dor de cabeça, dor nos ossos e bronquite. Esses eram alguns sintomas da dona de casa Maria Josete dos santos, 66. Ela também buscou atendimento em outras unidades, mas não encontrava médicos. “Passei três dias indo e voltando, mas, não fizeram nada por mim, por isso vim para o Huse, é o único que não fecha e que atende a gente a qualquer momento. Aqui está superlotado, mas o atendimento é feito e com rapidez”, informou.

O coordenador do pronto Socorro do Huse, Vinícius Vilela, explicou o impacto da superlotação para funcionários e o paciente. “Isso causa uma congestão no atendimento e o impacto é assistência de baixa qualidade, estresse dos profissionais, a falta de insumos, o que é programado para atender 150 pessoas por dia, atende 300. De forma geral, quem sofre é a população e os nossos profissionais pela condição de trabalho, pela superlotação, pela sobrecarga. Os nossos pacientes sofrem pela assistência que não é dada como deveria, mas, claro que os pacientes que estão com média e alta complexidade sempre terão prioridade no atendimento”, concluiu. Informações do Ses / A8

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