quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Tecnologia em ônibus ajuda a reduzir emissão de poluentes em Aracaju

Frota tenta se adequar as normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente. CNT monitora o grau de poluição emitido pelos ônibus da capital.

Diariamente 520 ônibus, de sete empresas, circulam na capital sergipana transportando cerca de 6,5 milhões de passageiros/mês, segundo a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT).

Movimento que gera uma grande emissão de gases poluentes e material particulado impactando na qualidade do ar. Um problema que as empresas de ônibus tentam solucionar com modernização da frota, que dispõe de sistemas como o de Redução Catalizadora Seletiva (SCR), capaz de reduzir os efeitos da ação dos poluentes liberados com a queima do diesel.

O cálculo feito pela Iniciativa Verde, organização do terceiro setor, aponta que um ônibus que circula cerca de 1000 km/mês tem potencial para produzir quase uma tonelada [977.04] de CO2e [padrão internacional que mede a quantidade de gases de efeito estufa como o dióxido de carbono e o metano]. Número proporcionalmente menor quando comparado a um carro, que transporta apenas cinco pessoas gerando 871,20 kg, enquanto o ônibus é capaz de transportar mais de 50 pessoas ao mesmo tempo.

“A questão ambiental é motivo de muita preocupação de todos nós. Os poluentes emitidos pelos veículos afetam os usuários, os gestores públicos, a economia da cidade. Com menos poluentes, as pessoas ficam menos doentes e requisitam menos as unidades de saúde”, disse o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp), Alberto Almeida.

Para tentar reduzir os efeitos da queima do combustível, as empresas de ônibus de Aracaju (SE) têm investido na modernização da frota, investindo em tecnologia e adquirindo veículos que se adequam as diretrizes do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conoma), através da aplicação do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconove7), também chamado de Euro 5, em vigor no Brasil desde janeiro de 2012.

A aplicação da legislação objetiva uma redução de 60% do óxido de nitrogênio (NOx) e 80% da emissão de material particulado (MP). Na prática, o Proconove7 reduz o NOx de 5,0 para 2,0 g/Kwh e na emissão de MP de 0,1 para 0,02g/Kwh.

Quem faz uso do sistema coletivo de Aracaju nem sempre se dá conta de que ao entrar em um desses veículos, está contribuindo para viver em uma cidade mais limpa, mas quando descobre, entende que a proposta faz bem a todos os envolvidos no sistema. “É algo louvável e poderia ser estendido para todos os ônibus, além do transporte público. É indispensável pensar sobre isso, mesmo que a longo prazo”, diz a universitária e técnica em eletrônica, Elaine Olímpio.

Para o geógrafo Gênisson Lima de Almeida, que mora na capital desde 2011, a inserção desses veículos com tecnologia voltada ao meio ambiente deveria é uma questão que precisa ser vista não como obrigação, mas necessidade se a população quiser um planeta com menos problemas como o efeito estufa, além de problemas relacionados a saúde pública. "A emissão desses gases tem uma influência na qualidade de vida de todos nós, é um dos grandes causadores dos problemas respiratórios", observa.

Ainda segundo ele, a redução de gases produzidos pela combustão evitam alterações bruscas no microclima, que são os locais onde eles são eliminados, onde há uma grande concentração de veículos. "Isso é tão sério. Uma ação local pode ter impactos de macro proporções e influenciar, por exemplo, no ciclo das chuvas, que pode se alterado, causando secas, além da elevação das temperaturas nas cidades", explica.

Dever de Casa


Segundo o engenheiro mecânico e gerente da frota da empresa Atalaia, Ricardo Donizete, os investimentos chegaram no grupo que ele trabalha com a implantação de veículos fabricados a partir de 2013, em substituição dos modelos mais antigos. Dos 199 carros que circulam pela capital, apenas oito não seguem esta tecnologia. “Para atingirmos o mesmo resultado da Proconove utilizamos um reagente líquido (ARLA), pulverizado na saída do escape. Ele quebra as partículas do carbono e praticamente neutraliza a geração do óxido de nitrogênio (NOx). Além disso, utilizamos o diesel S-10, que tem menor teor de enxofre”, conta o gerente.

Ricardo afirma que a tecnologia encontrada nos veículos modernos permite que o combustível tenha uma queima reduzida em cerca de 35%. “Os modelos anteriores há 2012 faziam com um litro do diesel aproximadamente 2 km, agora, passou para cerca de 3km. A eletrônica veio gerenciar o motor do veículo, gerando menos poluição e mais confiabilidade. Quanto mais gasto de combustível, maior a emissão de poluentes”, justifica, completando que as manutenções preventivas são indispensáveis para o funcionamento perfeito.

Na empresa Modelo, dos 199 veículos em circulação, metade tem a tecnologia Proconove P7, a outra metade está na anterior [Euro 3] e em fase de adequação. “Desde que cheguei na empresa, há três anos, começamos a adotar o diesel S-10. Alguns dos nossos carros dispõem da tecnologia ARLA e em outros utilizamos a recirculação de gases de escapamento (EGR). A cada novo tecnologia que chega a gente tenta se adequar”, assegura Ruy Olavo Neves, gerente de manutenção.

No sistema EGR, os gases produzidos na queima do combustível é recirculado. Como o aumento da temperatura, cresce a produção do NOx, que com o sistema reduz o calor e deixa a formação de NOx dentro dos níveis aceitáveis. Dessa foram, o material particulado é minimizado.

Despoluir

Na batalha por ter um meio ambiente equilibrado e com menos poluentes, a cada 90 dias, as empresas de ônibus da capital recebem a visita de técnicos do Programa Ambiental do Transporte (Despoluir), criado em 2007 pelo Sistema Confederação Nacional dos Transporte (CNT) e Sest/Senat, presente em todo o país.

A iniciativa que busca incorporar novas ações para promover modelo sustentável em consonância às discussões do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Segundo a coordenadora do programa para Sergipe e Bahia, Cleide da Silva Cerqueira, Aracaju teve uma significativa melhora no grau de poluição emitido pelos ônibus nos últimos anos,mas não revela os dados dessa radiografia.

“A capital já registrou índices superiores aos de Salvador, onde a frota é bem maior, mas Aracaju vem melhorando gradativamente, principalmente porque as empresas têm tido este cuidado de fazer as alterações sugeridas por nossa equipe, além de terem feito uma renovação da frota aracajuana”, observou.

Através do opacímetro, aparelho que mede a concentração de material particulado lançado no ar pelos motores a diesel, os técnicos conseguem fazer uma radiografia da frota em circulação na cidade. O equipamento é aferido anualmente pelo Inmetro, que fica ligado ao notebook para faz a medição. Em Sergipe, o programa ainda esta na fase educativa, mas em estados como Rio de Janeiro as infrações são corrigidas também com a aplicação de multas.

“No computador tem os programas de cada fabricante indicando o grau de poluição que pode ser lançado pelo veículo. Quanto mais novo o carro, menor é o índice de poluentes que tem que jogar, por estarem acompanhando a tecnologia. O equipamento é colocado na descarga do veículo e caso seja encontrada alguma irregularidade, o relatório segue para a empresa fazer as correções. Após três meses, a gente retorna e faz uma nova medição. As empresas melhoram a frota com a renovação dos carros e agora quase que a gente não diagnostica problemas como antigamente, quando tinha um índice maior”, explica o técnico do projeto em Sergipe e Bahia, Jean Charles Santos.

A Diretoria de Controle Ambiental, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Aracaju (Sema), está em fase de discussão e elaboração do ‘Inventário de Gases do Efeito Estufa’. O estudo vai levar em consideração neste estudo o nível de poluição emitida pelos veículos particulares e o serviço de transporte público.

O analista ambiental da Sema, Marcelo Geovane da Cruz, confirma que os ônibus estão entre os maiores emissores de CO2 e outros gases nocivos ao planeta. “Quanto mais velha for a frota e se não tiver manutenção, a quantidade de gases poluentes se agrava. As denúncias que chegam até nós são averiguadas e os casos comprovados notificamos as empresas. Uma mobilidade urbana eficiente passa pela questão do transporte eficiente, limpo e que permita que os usuários troquem seus veículos pelo sistema público”, afirma.

Marcelo Geovane acredita que as cidades precisam tomar medidas urgentes para amenizar os problemas que não afetam apenas os usuários de transporte coletivo. “Além dos problemas de saúde pública [como as alergias] a emissão desses gases trazem consequências no aumento da temperatura e no aquecimento global. Aracaju está bem vulnerável, por estar no nível do mar. O derretimento das calotas de gelo, segundo os estudiosos, aumentaria o volume dos oceanos e atingiria nossa capital”, explica o ambientalista.

Anderson Barbosa, do G1 SE


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