terça-feira, 20 de setembro de 2011

População ribeirinha sofre com degradação do Rio São Francisco

Iracema Corso / assessoria parlamentar - Água, política social e condições de subsistência das comunidades ribeirinhas foi o tema que reuniu em Propriá a Pastoral da Criança, a Escola de Fé, Política e Cidadania, o representante do INCRA, Fontinelli, o secretário de Estado de Direitos Humanos, Comunidades Quilombolas, Comunidades Indígenas, o Comitê Pastoral da Terra, entre outras entidades durante a manhã deste sábado, 17 de setembro, no Encontro do Comitê do São Francisco. 
 
A deputada Ana Lúcia (PT) participou como palestrante do evento junto a indígenas, quilombolas, assentados e vários membros de movimentos sociais e políticos da região entorno do Rio São Francisco que discutiram pontos cruciais para a população do Baixo São Francisco, tais como energia nuclear, hidrelétricas, construção de Resortes, irrigação do Platô, Pró-Álcool, Transnordestinas.

A deputada Ana Lúcia ouviu todos os depoimentos dos militantes colocando o impasse em que se encontra o movimento social de proteção da Bacia do são Francisco e por melhoria de condições de vida para as populações ribeirinhas. Ela defendeu o fortalecimento da unidade do povo e colocou seu mandato à disposição para ajudar na luta dos ribeirinhos.

O pescador e poeta, Antônio Gomes dos Santos, o Toinho de Penedo, reclamou que a luta precisa ser mais contundente, pois há muitos anos ele assiste à degradação do Rio São Francisco, a diminuição no tamanho e no volume de peixes, as condições de vida da população ribeirinha cada vez piores, e tudo condiz para que esta realidade se confirme ainda mais. “Eu discordo de quem diz que o trabalhador não sabe plantar. O trabalhador não sabe envenenar, isso sim. Mas enfiaram na cabeça do povo que tem que produzir mais e que isso só se faz com veneno”, apontou.

Membro do Comitê Pastoral da Terra e Comitê Pastoral da Pesca, o companheiro Gogó denunciou que a população ligada à natureza vivencia o impacto social de sua destruição. “O Baixo São Francisco é chamado de Hait sergipano por causa dos índices de desenvolvimento humano. Mas isso é óbvio, a gente vivia da pesca, do planto e isso foi tirado da população, o resultado foi o pior possível”, resumiu.

O vereador José Antônio da Silva, o Ninho, lembrou que também o Pró-Álcool sinaliza para um cenário pior pra região com a volta da expansão da monocultura para o cultivo da cana-de-açúcar na região nordeste e em Sergipe também. Uma das consequências é o esmagamento da agricultura familiar.

A coordenadora do Núcleo de Defesa do São Francisco no Ministério Público, Luciana Khoury, avaliou que a luta pela proteção do São Francisco não pode arrefecer por causa da decisão favorável à transposição tomada pelo Supremo Tribunal Federal. Ela lembrou que ainda existem 14 ações em curso. “E precisamos continuar dando o mesmo peso para outras lutas em defesa do São Francisco e de condições de vida para as populações ribeirinhas. Pretendo levar as sugestões criadas a partir deste debate para o Ministério Público”, explicitou a promotora que há 9 anos atua no núcleo em Defesa do São Francisco.

DESABAFO QUILOMBOLA

A militante quilombola Xifronézea Santos falou do preconceito, do isolamento e todas as dificuldades da luta quilombola no Quilombo de Brejão dos Negros, em Brejo Grande, onde as políticas públicas do Governo Federal não estão conseguindo chegar. “É o meu direito lutar pela terra que foi minha do passado. Lutar pela política que está aí, e junto aos companheiros quilombolas de outros municípios. Mas quem se identifica como quilombola na minha comunidade é chamado de ladrão. Ninguém consegue trabalhar, porque não se dá emprego a quilombola. Na minha casa, a gente vive do meu salário porque eu sou funcionária publica. O meu marido não trabalha porque ele é casado com Xifronézea, que é ‘a quilombola brigona’. Então está difícil a nossa batalha”, alertou. Xifronézea pediu apoio e solidariedade de acampados, assentados, índios e camponeses na luta contra a repressão dos coronéis e do latifúndio, que ainda imperam fortes na região do Baixo São Francisco.

O jovem Magno de Oliveira frisou as palavras da companheira quilombola enfatizando que as ameaças de morte na região não cessam. E por isso a comunidade vive num cotidiano de muita tensão, além das provocações constantes dos expropriados.

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